Plantas mudam e integração avança em novos modelos de imóveis

Plantas mudam e integração avança em novos modelos de imóveis

Se no passado poucos apartamentos dispunham de um terraço, hoje a varanda é um item quase imprescindível para quem busca um imóvel. Esta é uma das mudanças que as plantas de apartamentos sofreram nos últimos anos. E nenhuma das alterações se dá ao acaso.

Costumes

“Os apartamentos sofrem o eco das mudanças da sociedade”, afirma a presidente da Associação Brasileira dos Escritórios de Arquitetura (AsBEA), Miriam Addor.

De acordo com o professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV) especializado em setor imobiliário Alberto Ajzental, as mudanças nas plantas de apartamentos geralmente ocorrem por dois motivos: legislação e novos costumes por parte da própria sociedade.

“O aumento da inclusão de varandas nos apartamentos é um exemplo de mudança decorrente de nova legislação”, diz ele. Uma lei do ano 2000 determina que as sacadas de apartamentos não são incluídas como área computável do imóvel. Agora, empreendimentos voltados a diferentes classes sociais incluem no projeto varandas gourmet – até em imóveis do programa do governo Minha Casa Minha Vida.

Sem divisão

“Há até quem deseje eliminar as portas de vidro que dividem a sala da varanda”, diz o coordenador do Sindicato da Construção de São Paulo (SindusConSP), Yorki Estefan.

Como atualmente muitos dos terraços incorporam o caráter gourmet, ou seja, são pensados para apreciar a gastronomia, era interessante que houvesse uma integração da varanda com a cozinha. “As cozinhas estão ficando mais próximas das sacadas, de modo que não é necessário cruzar toda a sala com alimentos e bebidas”, diz Ajzental.

Esse arranjo com sala, cozinha e varanda adjacentes foi a solução encontrada pelas incorporadoras para tornar as plantas mais práticas e ainda caber no bolso do consumidor.

 

Área comum

As áreas comuns do prédio também mudaram. A falta de área de serviço em apartamentos é suprida, em muitos condomínios, por máquinas de lavar e secar comunitárias, por exemplo.

No caso de Simone, ela lava as roupas na lavanderia comum do prédio, já que não tem área de serviço no apartamento. “Essa nova utilização mais inteligente e usual permitiu as mudanças na planta. Quando começam a usar a área comum de forma mais sensata, é possível sustentar alterações consistentes na planta do apartamento, com a vantagem de pagar menos no IPTU e no condomínio”, alega Frankel.

‘As pessoas querem flexibilidade no layout do apartamento’

Abrir mão de um quarto no apartamento para ampliar a sala, ou dispensar o closet a fim de ter uma área de serviço maior. Segundo o coordenador do Comitê de Tecnologia e Qualidade do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (SindusConSP), Yorki Estefan, é esse tipo de autonomia que os consumidores procuram quando se trata de imóveis. “Hoje, o comprador quer flexibilidade muito maior no layout interno do apartamento. Ele quer juntar o terraço com a sala, ou cozinha com o terraço”, diz ele.

Os apartamentos atuais, que tem média de área privativa de 60 m² refletem o momento que a sociedade tem vivido. “O que observamos é que a forma de morar das pessoas vêm se tornando cada vez mais prática, e esse estilo de vida também requer uma resposta das incorporadoras”, diz a presidente da Associação Brasileira de Escritórios de Arquitetura (AsBEA), Miriam Addor. Ela acredita que a integração dos cômodos é também fruto de fatores tácitos.

 

Fonte: Estadão