O futuro da engenharia civil também passa pela revolução digital

O futuro da engenharia civil também passa pela revolução digital

Por Paulo Ribeirinho Soares, presidente do Colégio de Engenharia Civil de Portugal

Um dos painéis do Encontro Nacional de Engenharia Civil teve como tema "O que é ser engenheiro no século XXI". Como é que vê hoje a profissão?
É difícil imaginar como seriam as nossas cidades sem a presença de um engenheiro civil: casas, fábricas, hospitais, estradas, pontes, redes de águas residuais, barragens para abastecimento de água e para produção de energia eléctrica, entre tantas outras. A engenharia está presente em tudo e a civil em "quase" tudo. 

O que é ser um engenheiro do século XXI é o titulo da palestra que o professor Luís Valente de Oliveira escolheu e aguardamos com o maior interesse. Atrevo-me, no entanto, a sublinhar que a designada quarta revolução industrial está considerada como a maior revolução tecnológica de sempre. Constitui, através da digitalização dos processos, uma evolução dos sistemas de produção industrial que garante benefícios como a redução de custos, de energia, o aumento da segurança e da qualidade, bem como a melhoria da eficiência dos processos. As soluções serão mais eficientes e mais rápidas de construir e irão integrar a gestão da manutenção e das operações. 

Estas adaptações aos novos tempos devem ser especialmente implementadas no período da formação dos jovens, concedendo-lhes princípios e saber, de poder aprender, o que ainda não existe. Será este o perfil do engenheiro no século XXI, aliado a uma forte componente ética e de responsabilidade social.

Como é que a transformação digital está a mudar a engenharia civil e a construção?
A introdução da metodologia Building Information Modeling (BIM) está a começar a ser disseminada em algumas universidades. Ela permite, além de projectar uma "maqueta virtual" cujos objectos paramétricos contêm informação indispensável para se efectuarem as análises a que o modelo se destina, efectuar a gestão e coordenação das várias especialidades e da correspondente informação ao longo de todo o ciclo de vida de um projecto: concepção, execução, exploração, manutenção. Esta metodologia de trabalho está já a ser empregue em Portugal, em projectos e obras de dimensão significativa.

O futuro da construção e da Engenharia Civil, irá passar, na óptica da digitalização, também com a integração dos trabalhadores da primeira linha, que são particularmente relevantes no sector da construção, nas tecnologias digitais que proporcionem eficiência, qualidade e satisfação dos "stakeholders". Os trabalhadores do conhecimento terão um papel muito importante, na óptica da digitalização, na gestão dos projectos e dos processos, com o recurso à realidade mista e inteligência artificial e na automação da construção.