A engenharia e o futuro do mundo

A engenharia e o futuro do mundo

“Precisamos de engenheiros trabalhando em questões referentes ao desenvolvimento sustentável, pois são problemas sistêmicos que precisam de um novo desenho para serem superados”, disse o economista norte-americano Jeffrey Sachs, em palestra realizada no dia 17 de novembro, no auditório da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). A posição foi reforçada em entrevista especial ao jornal Folha de S.Paulo, em que ele diz que “o futuro do mundo depende dos engenheiros”.

Para o professor, no caminho do desenvolvimento sustentável, o mundo também precisa de cinco grandes transformações e é só com o auxílio de universidades e de centros de pesquisa que elas poderão se tornar realidade. São elas: a descarbonização da energia; o uso sustentável do solo; o desenvolvimento de cidades sustentáveis; a instituição de serviços públicos de qualidade (saúde e educação); e a criação de institutos de pesquisa que auxiliem nessa transformação geral da sociedade. Ele vaticina: “Sem a ciência, não saberíamos o que está acontecendo conosco. Mas é preciso fazer uma distinção entre ciência básica e ciência aplicada. Por isso, precisamos de engenheiros. São eles que desenvolvem coisas, sejam tecnologias, ferramentas, softwares, hardwares, ideias ou máquinas. Parte do que precisamos agora são engenheiros que possam desenhar um novo sistema de baixo carbono, de energia, de água.”

Em entrevista recente ao Jornal do Engenheiro, do SEESP, a engenheira Karin Marins, professora do Departamento de Engenharia de Construção Civil da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP), também observou que “todas as modalidades da engenharia estão, de certa forma, tocando o tema da sustentabilidade”. Sobre os 17 ODSs da agenda da ONU, ela acredita que a engenharia, por sua ampla inserção econômica e social, permeia a resolução de importantes desafios para consecução dos referidos objetivos. “Entretanto, entendo que alguns desafios podem ter uma atuação mais decisória da engenharia, instrumentalizando ações de forma mais direta, como a educação abrangente e inclusiva, a construção de infraestruturas e cidades resilientes e inclusivas, e promoção de padrões de produção e consumo mais sustentáveis.”

 

Fonte: Jornal Folha de São Paulo